O burocrático e inocultável esqueleto de pedra (A crônica sobre a construção do fórum criminal

22/01/2018

Rodeado de flores e suas matizadas pétalas jaz o burocrático esqueleto. Não se sabe se vivo ou morto, se morto-vivo ou vivo-morto. É possível notar tal gestação de vários pontos da cidade de Osasco. Um esqueleto empedernido por natureza. Destinado ao possível ofício, se se fizer carne, de julgar aqueles que violam as leis humanas. O que deverão estar esperando para seus revestimentos? Pelo menos lhe coloquem a vestimenta poupando-lhe a vergonha de expor seu corpo esquelético. Quem dera pudesse expor sua formosura carnal como uma mulher em uma praia de nudismo. A concha em sua natureza concreta jaz ao seu lado e ecoa suas surdas súplicas esqueléticas. As leis o aguardam. As leis querem morar no seu âmago. Se abrigarem do Sol e da chuva. Não serem indigentes sem rumo e sem casa. As leis apetecem fazer jus a sua pontuada existência. A anorexia estampada em sua composição nos remete a negligência dos indivíduos ternificados que sobre os ombros de uns e outros acreditam reger algo na cidade. Essa circunstância demonstra claramente a miséria que, não só essa cidade, mas muitas outras pelo Brasil afora, são deixadas por aí. No meio daquele jardim, passa as estações, e as flores desfloram, murcha, secam e repetem esse ciclo natural, apenas de forma nominal, enquanto o esqueleto não demonstra nem sinal de juventude ou velhice. Apenas jaz, morto, sem esquife que lhe encaixe e o oculte, para ser enterrado e levar consigo todo o ouro que lhe pôs no mundo. Lando Sal de Cobra (Orlando Salles de Souza Coimbra)



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