Paulo Preto operador do PSDB é denunciado pelo MPF na primeira ação da Lava Jato paulista

22/03/2018

O engenheiro Paulo Vieira de Souza, apontado como operador de propinas do PSDB em São Paulo, foi denunciado nesta quinta-feira (21) pelo Ministério Público Federal sob suspeita dos crimes de formação de quadrilha, peculato e inserção de dados falsos em sistema público de informação. É a primeira denúncia apresentada pela força-tarefa da Operação Lava Jato em São Paulo, criada em julho do ano passado. Paulo Preto, como Vieira é conhecido, teria desviado verbas públicas vinculadas ao programa de reassentamento da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A), segundo os procuradores. Ele comandava o órgão na gestão do tucano José Serra (2007-2010). O dinheiro desviado, que chega a R$ 10 milhões corrigidos, deveria ser destinado aos moradores dos locais em que seriam feitas obras do trecho sul do Rodoanel, obra viária que circunda a capital paulista. De acordo com a denúncia, Paulo Preto fraudou cadastros de moradores com ajuda de outras três pessoas que trabalhavam para a Dersa. Duas denúncias sobre esse caso já haviam sido apresentadas pelo Ministério Público de São Paulo em 2015 e 2016, a partir de delação premiada de Mércia Ferreira Gomes, que prestou serviço à Dersa. No entanto, a Justiça considerou que a Promotoria não tinha competência para abrir as ações. A nova denúncia não aborda a informação de que Paulo Preto tinha R$ 113 milhões em contas na Suíça, compartilhada pelo Ministério Público do país europeu com procuradores de São Paulo –Preto era alvo de ao menos cinco procedimentos na Procuradoria. Também não faz menção a Serra, que é investigado em outra ação no âmbito do STF (Supremo Tribunal Federal). O inquérito no Supremo foi aberto em 2017 a partir da delação da Odebrecht, que disse ter pago propina no Rodoanel supostamente em benefício do ex-governador, atual senador. A defesa de Paulo Preto tem tentado fazer com que os processos que estão em São Paulo sejam juntadas à investigação no STF, onde o responsável pelo processo é o ministro Gilmar Mendes. Entre tucanos e aliados, a reação à denúncia foi de cautela e preocupação. Ainda que a peça tenha sido considerada lateral, políticos reconhecem que investigações do tipo são sempre negativas, ainda mais se no rol da Lava Jato. Por não envolver nomes ligados a Paulo Vieira de Souza como José Serra e Aloysio Nunes, o impacto da denúncia foi minimizado. No entanto, pelo temperamento imprevisível de Vieira de Souza, admitiu-se que tê-lo sob pressão causa apreensão. O advogado Daniel Bialski, que defende Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, disse que a denúncia da Procuradoria paulista é “requentada” e as investigações inocentaram Souza. “A denúncia nada mais é do que uma denúncia requentada que já havia sido apresentada à Justiça Estadual, que declinou da competência para a Justiça Federal. O Ministério Público Federal, então, pediu à Polícia Federal que fizesse nova investigação contra o Paulo e o resultado foi que essa apuração só reforçou o que mostrou a auditoria interna da Dersa, cuja conclusão inocentava o Paulo de qualquer ato ilícito ou favorecimento a quem quer que seja”, disse.



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