Indústria decepciona, e analistas reveem PIB

03/05/2018

A produção industrial brasileira decepcionou analistas em março e engrossa a lista de variáveis que pesaram negativamente sobre o PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre, a ser divulgado no fim de maio. A produção de março teve ligeira queda de 0,1% frente a fevereiro, informou o IBGE nesta quinta-feira (3). A expectativa era de uma alta de 0,5%. O desempenho frustrante se deveu especialmente ao recuo dos bens intermediários (queda de 0,7% sobre fevereiro), que englobam as matérias-primas da indústria, como minério de ferro e petróleo, celulose e açúcar. Por outro lado, a Copa do Mundo favorece a fabricação de bens de consumo duráveis, como aparelhos de TV, que subiram 1% ante fevereiro. Com o dado de março, a produção está 15,3% abaixo do maior nível da série, alcançado em maio de 2011. Se a comparação do primeiro trimestre deste ano for feita com o trimestre imediatamente anterior, a produção industrial ficou estagnada, segundo a consultoria MCM. Outro ponto de atenção é que o resultado ocorre após a indústria ter registrado forte recuo na produção em janeiro (-2,2%). E do dado de fevereiro ter sido revisado de uma alta de 0,4% para um pequeno avanço de 0,1%-- um quadro geral de redução de ritmo na produção frente ao patamar positivo do final de 2017. Ainda assim, a produção industrial fechou o primeiro trimestre com alta de 3,1% ante igual período de 2017. Em relação a março de 2017, a indústria cresceu 1,3%, com 11 meses de taxas positivas nessa base de comparação. Em 12 meses, a alta é de 2,9%. “Estamos longe de uma trajetória de maior consistência para a produção industrial. Temos ainda um mercado de trabalho longe de absorver os desocupados e isso atrapalha o consumo”, disse o gerente da pesquisa no IBGE, André Macedo.



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