As mentiras espalhadas por Bolsonaro que o próprio governo desmentiu

02/04/2019

Os primeiros meses do governo Bolsonaro renderam uma série de polêmicas e recuos. E mais que isso. Em quase 100 dias de governo, o presidente deu pelo menos 130 declarações passíveis de checagem, das quais mais de 80 eram completamente falsas ou apresentavam algum grau de distorção. É o que mostram os dados da pesquisa do grupo Aos Fatos. Às vésperas do Dia Internacional da Checagem, 2 de abril, relembre algumas das gafes espalhadas pelo mandatário. “Nos hospedaremos na Blair House. É uma honraria concedida a pouquíssimos Chefes de Estado.” (17 de março) O Departamento de Estado dos Estados Unidos oferece estadia no palácio Blair House para visitantes de Estado, oficial e oficial de trabalho. Com exceção de José Sarney, todos os governantes brasileiros desde João Goulart se hospedaram no local. “As Forças Armadas sempre estiveram ao lado da democracia e da liberdade.” (07 de março) Ao contrário do que diz o presidente, em vários momentos da história as Forças Armadas pregaram discursos e ações antidemocráticas. Um exemplo partiu do governante Castelo Branco, que convocou eleições indiretas, cassou opositores e articulou um golpe militar instituindo a ditadura no país. “A caderneta [de vacinação] aqui logo na frente diz que é para criança de nove a 16 anos.” (07 de março) Destinada a pessoas de 10 a 19 anos, a caderneta de saúde, e não de vacinação como foi afirmado por Bolsonaro, apresentada em uma uma live no Facebook, serve para informar os jovens sobre puberdade, higiene bucal, alimentação e prevenção de ISTs e DSTs. Para as crianças de 9 anos ou menos, há outro material, que não contém a seção sobre sexualidade. “Detalhe: ela [a caderneta] é de 2012, da [autoria] senhora Dilma Rousseff” (07 de março) O material foi criado em 2009 durante o mandato do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Ricos e pobres, servidores públicos, políticos ou trabalhadores privados, todos seguirão as mesmas regras de idade e tempo de contribuição.” (21 de fevereiro) A PEC 6/2019, que prevê uma reforma no sistema previdenciário, determina que os aposentados do INSS precisam cumprir, no mínimo, 20 anos de contribuição, enquanto os servidores públicos, 25 anos. “[Os médicos cubanos participantes do Mais Médicos] não tinham liberdade para ver seus familiares.” (14 de fevereiro) A lei 12.871, que instituiu o Mais Médicos, previa que o Ministério das Relações Exteriores poderia conceder visto temporário “aos dependentes legais do médico intercambista estrangeiro, incluindo companheiro ou companheira”. “Em nenhum momento conversei com ele [Bebianno].” (12 de fevereiro) Embora tenha dito isso, o ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebiano, havia conversado com Jair Bolsonaro por meio de áudios no aplicativo WhatsApp sobre as acusações das candidaturas laranjas do PSL, conforme foi revelado pela revista Veja. “Isso [recebimento de R$ 400 mil por uma candidata laranja do PSL] foi no final de setembro do ano passado, eu estava em casa em convalescença.” (12 de fevereiro) A deputada federal Maria de Lourdes Paixão teve 274 votos e o terceiro maior benefício de verba do PSL, que foi inclusive maior do que a recebida pelo próprio Bolsonaro. O dinheiro foi enviado ao partido em 3 de outubro, quando o então candidato a presidência pelo partido estava internado no hospital após sofrer o atentado em Juiz de Fora (MG). (12 de fevereiro) “E muitas vezes [Lula e Dilma] elogiaram o governo do presidente Kim Jong-Un na Coreia do Norte.” (24 de janeiro) Não há registros que indiquem quaisquer elogios feitos por Lula ou Dilma ao governo de Kim Jong-Un. “Como resultado [da política de desarmamento], a violência aumentou no Brasil, não caiu.” (24 de janeiro) Em 2007, um estudo do Ministério da Saúde mostrou que, de 2003 a 2006, depois da sanção do Estatuto do Desarmamento, a cada semestre foi observada uma redução significativa no número de mortos por arma de fogo. Houve uma queda de 4.677 óbitos no período analisado, ou seja, 12%, considerando números absolutos. “Nós temos […] a oitava economia do mundo.” (23 de janeiro) Segundo dados do Fundo Monetário Internacional, até o ano passado o Brasil era a oitava maior economia do mundo, porém, neste ano foi ultrapassado pela Itália.



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