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Folha Oeste



“Coração bom” devolve bolsa com R$ 1.600,00 a moradora de Cotia
02/02/2017 16:10:08

Dia de receber o salário e quem o recebe em dinheiro aperta a carteira no bolso ou a bolsa contra o peito no caminho para casa, com medo de perder toda a grana do mês. Foi o tempo de entrar na escada rolante e sair dela, no topo da estação Butantã, para a babá Roseane Brasiliano da Silva, 44, a Rose, se dar conta do que tinha acontecido: sua bolsa, antes a tiracolo, não estava mais lá. Frio na barriga: eram R$ 1.600 “e alguns trocados” perdidos. Não houve choro ou grito –e ela chorou e gritou bastante– que os trouxessem de volta. Um policial que estava ali lhe orientou a fazer um boletim de ocorrência relatando o que tinha acontecido –ela achou que pudesse ter sido furtada– e foi solidário: lhe deu R$ 5,70 para que ela retomasse seu trajeto para casa, em Cotia, sentada no ônibus sem o salário de todo o mês, recebido naquele dia 9. Era a primeira de uma corrente de ações solidárias. Três semanas depois de ter chorado ao relatar a história para o marido e os quatro filhos, ter se resignado, aceitando o que tinha acontecido, ter pedido um empréstimo no banco para passar pelo mês (R$ 1.400, para ajudar uma filha com o aluguel, pagar o dentista de outra, a prestação da geladeira), Rose recebeu uma notícia surpreendente. Veio por telefone, e ela pensou que fosse trote. “Sua bolsa foi encontrada com todo o dinheiro dentro”, ouviu do outro lado da linha. A voz que transmitia essa boa notícia pertencia ao coordenador de atendimento e serviços do metrô, Marcos Borges. Não foi fácil encontrar a Rose –foram 12 dias atrás dela, desde que a bolsa foi entregue por um usuário anônimo do metrô. Se para ela tinha sido um alívio se dar conta de que seus documentos não estavam na bolsa, para os responsáveis por localizá-la, o desafio era maior. Entre os pertences da bolsa, o único que poderia identificar sua dona era o cartão BOM (Bilhete de Ônibus Metropolitano). Ao rastrear o registro da empresa ligada ao cartão, Borges chegou a uma em que Rose trabalhou até 2011. O número de celular registrado pelo departamento de recursos humanos já não pertencia a Rose. Mas a empresa tinha outro número registrado, de sua cunhada, que lhe passou o recado. ‘CORAÇÃO BOM’ Nesta terça (31), Rose entregou o RG em um guichê na estação da Sé e, depois de ter a identidade confirmada, recebeu o objeto retangular de cor salmão. Observou como uma alça estava descosturada –daí o motivo para a perda. Dentro, R$ 1.639,95, um moedeiro, brincos que ganhara de presente da chefe, uma caixa de analgésicos, desodorante, dois batons, perfume, lápis de olho. Tudo ali, como deixara. “Uma pessoa com o coração bom como essa não existe. Se tivesse parado na mão da pessoa errada, eu não estaria aqui”, dizia ela, sorriso tímido no rosto, emocionada. Para Cecília Guedes, do metrô, há mais almas boas do que se acredita: diariamente, entre os 220 objetos entregues a funcionários e enviados à central de achados e perdidos, na Sé, muito dinheiro é devolvido. “Comprova o que tem de gente honesta”, diz. Pouco mais de um quinto dos 81 mil objetos perdidos no ano passado –mais de a metade deles, documentos– voltaram a seus donos.



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